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A BATALHA PELA MENTE

Texto-base: Mateus 15:1-20

Não há cristão que deixe de experimentar lutas, batalhas e guerras. Grande parte das batalhas que os cristãos enfrentam é travada na mente, ou, como diz a Bíblia, no coração. É no mais íntimo de cada pessoa que as lutas têm início. E essas lutas são, particularmente, difíceis de serem vencidas quando a mente está poluída, e o interior está impuro. Fomos chamados para sermos santos, assim como o Senhor é Santo.

O pecado, entretanto, corrompeu nossa mente e, por causa disso, passamos a dar valor ao que desagrada a Deus, e está alinhado com o que a maioria da sociedade pensa.

Viver a vida da maneira como Deus quer exige a manutenção da mente pura. O autor de Provérbios recomenda: “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida” (Pv 4:23).

No texto de Mateus, encontramos Jesus lidando com a oposição dos Fariseus, um grupo de religiosos de fachada. Eles questionaram a Jesus porque os seus discípulos não lavavam as mãos antes de comer. Jesus, lendo a mente e o coração dos seus questionadores, confrontou-os duramente, uma vez que estavam mais preocupados com o exterior do que com o interior. Os Fariseus achavam que o cumprimento de certas práticas religiosas os tornavam mais aceitos por Deus. Mas Jesus deixa claro que as tradições não podem anular a Palavra de Deus. Ele, inclusive, cita um texto do Antigo Testamento: “Este povo me honra com os lábios, mas com o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens” (Is 29:13).

Há muitos cristãos que vão ao culto todo domingo, mas na segunda feira tem uma vida totalmente incompatível com o que aconteceu no domingo. Deixam Deus na igreja e somente o reencontram no domingo seguinte. Criticam aqueles que não vão aos cultos com a mesma freqüência, criticam a forma do culto, criticam o tipo de música cantada etc. Mas a vida na segunda feira não reflete o domingo passado no templo. É isso que Jesus critica nos Fariseus, o legalismo.

Muito embora lavar as mãos tenha o seu valor, o que Jesus está dizendo é que não é uma prática religiosa que aproxima alguém de Deus. De nada adianta cumprir regras e fazer o que a tradição determina, se o coração e a mente estão longe de Deus.


Jesus os escandaliza ao dizer: “O que entra pela boca não torna o homem impuro; mas o que sai de sua boca, isto o torna impuro” (Mt 15:11). Em uma outra passagem, ensinando que nenhuma árvore boa pode dar fruto ruim, assim como nenhuma árvore ruim pode dar fruto bom, Jesus declara: “O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração” (Lc 6:45). Mesmo depois de ter entregado a vida a Jesus, o cristão continua a experimentar uma batalha com a “carne”. E é por isso que a Bíblia nos desafia a mortificar a velha natureza, o velho eu.

Na continuidade de Mateus 15 lemos que os discípulos se aproximaram de Jesus e disseram a Ele que os Fariseus ficaram ofendidos quando ouviram as suas palavras. É natural que fosse assim. Afinal, o ensinamento de Jesus jogava por terra o sistema deles, no qual o indivíduo era avaliado pelo cumprimento da tradição estabelecida pelos líderes religiosos.

Jesus explica o conceito quando pergunta: “Não percebem que o que entra pela boca vai para o estomago e mais tarde é expelido? Mas as coisas que saem da boca vêm do coração, e são essas que tornam o homem impuro.” Aqui está a batalha pela mente, ou pelo coração. É na mente e no coração que a poluição, que já está dentro do homem, começa a destruí-lo. E Jesus começa a citar o que está dentro da mente e do coração que pode tornar o homem impuro:

Maus pensamentos – Não só pensamentos imorais ou fantasias sexuais, mas também ciúme, mágoa, inveja do que os outros têm, desejo de vingança. “Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. Então esse desejo, tendo concebido, dá a luz o pecado, e o pecado, após ter se consumado, gera a morte” (Tg 1:14-15).

Homicídios - Quando falamos mal dos outros pelas costas, assassinamos esta pessoa na mente dos outros, sem dar a ela o direito de defesa. Sabemos que é errado, mas, muitas vezes, queremos nos exaltar apontando as fraquezas dos outros.

Adultérios – Essa pode ser uma batalha sutil. Pode ficar só na mente de uma pessoa e levá-la a satisfazer-se apenas em pensamento, mas isso não muda o fato de que é um adultério. Um cristão pode lavar as mãos antes de comer, ir ao culto todos os domingos, mas, se na sua mente estiver alimentando uma fantasia sexual com alguém que não é o seu cônjuge, não vai agradar a Deus. Por fora, tudo bem; por dentro, tudo podre.

Imoralidades sexuais – A palavra que Jesus usa significa qualquer tipo de relação sexual fora do casamento. Pode ser uma relação entre não casados e pode ser uma relação de um casado com alguém que não é o seu cônjuge. Esse é um problema que nasce no íntimo do homem. Ele deseja o que não pode ter e, para satisfazer-se, viola os princípios de Deus.

Roubos – Roubamos o governo sob o pretexto de que ele não administra bem os impostos recolhidos. Roubamos os patrões quando somos negligentes com o uso do tempo no trabalho. Roubamos a Deus quando não damos a Deus o que é de Deus. Essa é uma batalha difícil. É lá na mente e no coração que nasce a idéia de roubarmos.

Falsos testemunhos e calúnias – Muitas vezes inventamos ou aumentamos aquilo que falamos a respeito de outras pessoas. Às vezes repetimos um comentário, mas com uma tremenda dose de maldade. Para ficar bem com uns, falamos mal de outros.

Quais são, então, as armas de Deus, os seus recursos, que podem nos ajudar a enfrentar a batalha na mente?

Precisamos reconhecer nossas lutas. Negar que passamos por lutas pode abrir brechas que nos levarão a derrotas. Reconhecer nossas lutas nos levam a estabelecer íntimos contatos com Deus, e a falar abertamente de nossas dificuldades. Salmos 32:2 diz: “Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa e em quem não há hipocrisia.” É hipocrisia acreditar que lavar as mãos é suficiente, quando sabemos das lutas travadas na mente e no coração.

Em I Coríntios 2:16 lemos que aquele que já reconheceu a Jesus como seu salvador pessoal é habitado pelo Espírito Santo e tem a capacidade de discernir o que é espiritual, uma vez que tem a mente de Cristo. Quando enfrentamos uma batalha na mente o Espírito Santo nos avisa: isso é perigoso, não é o que Deus deseja para você. Nessa hora devemos nos lembrar que somos habitados pelo Espírito de Deus, que temos a mente de Cristo.

Também precisamos de arrependimento. Muitas vezes pensamos que arrependimento está ligado apenas ao momento da salvação. Cada vez que percebermos que demos espaço a nossa mente para tramar alguma coisa que não agrada a Deus, devemos nos arrepender imediatamente e pedir perdão. A Bíblia nos garante que quando fazemos assim, recebemos o perdão e a purificação dos nossos pecados (I Jo 1:9). Em Provérbios 28:13 lemos: “Quem esconde seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia.”

Precisamos, ainda, renovar nossa mente. A poluição que existe dentro de nós é alimentada por aquilo que vemos e ouvimos. Aquilo que é sujo encontra abrigo no que de ruim já existe dentro de nós. Daí vem o pecado e daí vem a derrota na batalha pela mente pura. É o apóstolo Paulo quem nos dá o caminho para essa renovação em Romanos 12:2: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

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